O fim do emprego

Em fevereiro de 2020 o número de desempregados no Brasil era de mais de 12 milhões de pessoas e com a crise gerada pela pandemia da Covid-19 esse número tende a aumentar ainda mais, visto que diversos setores da economia como turismo, eventos, beleza, moda e aviação entre outros foram atingidos.

Mas a má noticia não para por ai, muitas das vagas que foram encerradas nos últimos anos e até no último mês deixarão de existir permanentemente, ou porque a função se tornou obsoleta e já não existe mais ou simplesmente porque foi automatizada, ou seja, o homem foi substituído pela máquina.

Um estudo da Universidade de Oxford na Inglaterra chamado The future of Employment (O futuro do emprego), examinou 702 ocupações para saber quais delas conseguiriam sobreviver em um mundo digital e automatizado.

Entre as funções que possuem grandes chances de deixarem de existir estão: operador de telemarketing, caixa de banco e supermercado, motorista de táxi, cozinheiro de lanchonete.

Mas existem outras profissões que continuarão existindo e tem poucas chances de mudança como eletricista, encanador, terapeutas ocupacionais, médicos, cirurgiões, padres e pastores.

É bom lembrar que as mudanças no mercado de trabalho sempre aconteceram ao longo do tempo, um bom exemplo disso foram as que ocorreram durante a 1ª e 2ª revolução industrial.

Porém o que difere a revolução que está acontecendo neste momento para as que aconteceram no passado é que hoje essas mudanças ocorrem em um ritmo mais acelerado e o que anteriormente levava anos para acontecer, agora pode levar apenas alguns meses.

E assim ocupações vão morrendo e outras nascendo e temos centenas de exemplos com relação a isso: condutores de bonde, datilógrafos, revelador fotográfico, atendentes de locadora, telefonista são algumas das funções que foram extintas ao longo dos anos.

Entre as que surgiram estão: analista de dados, social media, especialistas em segurança da informação, gerente de e-commerce, especialista em trafego digital.

Porém a grande dificuldade que enfrentamos com essas mudanças hoje é que a quantidade de novas funções criadas são bem menores do que as que estão sendo extintas. Sem contar que para a maioria dessas novas vagas é preciso ter qualificação e para isso é necessário muito tempo (as vezes anos) de estudos.

Sendo assim a realidade que vivemos no momento é que não importa o que se faça na politica ou economia, daqui para a frente teremos um número cada vez maior de pessoas que não conseguirão se recolocar no mercado e precisarão se reinventar.

Com isso teremos ai três grupos de pessoas, a elite que se adaptará a todas essas mudanças sem dificuldades, os trabalhadores altamente qualificados e especialistas e aqueles que infelizmente não se qualificarão e ficarão ainda mais a margem precisando de assistência dos governos para sobreviver.

Com essas mudanças a forma em que iremos oferecer a nossa força de trabalho também tende a mudar, iremos deixar a opção emprego com carteira assinada, carga horária e benefícios por trabalhos intermitentes muitas vezes trabalhando por projetos e sendo remunerados não por dias ou horas trabalhadas, mas sim por produtividade.

O profissionais qualificados poderão escolher para quem trabalhar e trabalharão menos e de forma mais independente, o home office será cada vez mais comum e haverá mais tempo para outras atividades garantindo mais qualidade de vida.

E assim daremos inicio a era do empreendedorismo em massa no qual muitas pessoas precisaram usar a criatividade para criar o seu trabalho (quero informar que empreendedorismo não tem nada haver com os trabalhos desenvolvidos em app de entrega, motorista ou revenda de produtos, mas isso é um assunto para um outro artigo).

No livro O futuro do Emprego o autor Thomas W. Malone diz “crises estimulam pessoas (e companhias) a deixar hábitos tradicionais e considerar possibilidades inovadoras

Para alguns todo esse mundo novo tende a ser motivo de preocupação, para outros de alivio, afinal de contas quem curte passar o dia dentro de um escritório trabalhando horas a fio e sendo mal remunerado.

Já não é de hoje que o mundo corporativo não é mais atrativo e tem dificuldade de reter talentos, além de gerar centenas de profissionais estressados e insatisfeitos com a falta de oportunidade de crescimento, sem um plano de carreira definido e a falta de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

A realidade é que o mundo está mudando e o que estava previsto para acontecer nos próximos 10 anos, com a crise causada pela pandemia poderá acontecer 3 vezes mais rápido.

Se adaptar é a palavra de ordem principalmente se você se encontra desempregado ou sem trabalho neste momento, comece a pensar fora da caixa e esquecer a forma convencional, pare de pensar em emprego e pense em trabalho, isso pode fazer a diferença entre o fracasso e o sucesso a partir de agora.

Para finalizar quero citar as palavras que o empreendedor Natanael Oliveira escreveu em seu livro Seja o empresário de sua ideia “Pode parecer estranho, mas deixar meu último emprego foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida”.

Como uma pessoa que desistiu de procurar trabalho há 14 anos atrás posso te dizer que sim existe vida profissional sem crachá e sem carteira assinada e ela pode conter muitas boas oportunidades.

Boa sorte!

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Sobre Andreza Novais

Sou especialista no mercado de festa e eventos e meu objetivo é auxiliar profissionais e empreendedores a alcançar um novo nível na gestão do seu negócio.

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