O que aprendemos com o casamento de Harry e Meghan

E o casamento mais esperado do ano chegou e é claro que todos os profissionais especializados em casamentos se prepararam para assistir esse momento, afinal de contas os casamentos reais britânicos ditam tendências há mais de um século.

Então vamos agora analisar do ponto de vista profissional cada detalhe, para que possamos nos situar melhor vamos primeiro falar sobre o local do casamento.

Capela de São Jorge

A capela de São Jorge fica localizado dentro das muralhas do castelo de Windsor,  o castelo habitado mais antigo do mundo e uma das residências oficiais da rainha Elisabeth II. Apesar de ser chamado de capela o local é amplo e possui dentro dela mausoléus de diversos reis da Inglaterra entre eles o mais famoso rei Henrique VIII, os pais da rainha Elisabeth II também se encontram sepultados lá.

A área destinada aos cultos possui três ambientes, a nave principal que é geralmente montada com cadeiras em formato auditório e é separado do segundo ambiente por uma parede com portal, a segunda aonde fica localizado o coro e possui bancos fixos laterais fica próxima ao altar. Essa área é destinada aos membros da Ordem da Jareteira que tem sede em Windsor.

Convidados

Quase 3 mil pessoas foram convidadas para o casamento, 600 deles que eram composto de amigos e familiares assistiram a cerimônia dentro da capela, mais de 2 mil ficaram dentro do complexo do castelo sendo esses membros da população local, dirigentes e participantes de projetos assistênciais e funcionários dos castelos.

Os convidados que assistiram na capela começaram a chegar duas horas antes da cerimônia, trazendo consigo um cartão que foi verificado pelos funcionários antes da entrada, que era feita pela porta lateral. Já dentro do recinto eles puderam cumprimentar e conversar com outros convidados e procurar com calma seu assento pois os lugares eram marcados. Também existia a orientação com relação ao lado a se sentar a esquerda convidados e familia da noiva, a direita convidados e família do noivo. Lá quem chega atrasado não entra, visto que a rainha é a última convidada a entrar no recinto.

Nos brasileiros quando recebemos um convite de casamento que indica que o início será às 12 horas, só chegamos ao local as 12 horas e nunca antes, por isso muitas vezes nos profissionais orientamos os noivos a indicar no convite o início meia hora antes do horário real, porque já sabemos do atraso dos convidados e ainda assim muitas vezes não conseguimos iniciar a cerimônia no horário programado.

A lição: Respeitar o horário do convite sempre.

A decoração 

Apesar de ser chamado de capela a igreja localizada dentro do castelo de Windsor possui uma estrutura digna de catedral, pois é ampla. Folhagens e flores brancas formando um portal na entrada principal, dispostos em alguns pontos da escadaria e em locais estratégicos dentro da capela. Nenhuma passadeira ou decoração no corredor central, isso porque o corredor era largo, isso favoreceu a entrada da noiva pois nada disputava a atenção com ela e afinal de contas o local por si só é magnífico.

No Brasil temos a péssima mania de fazer decorações grandiosas nos corredores e gostaria de salientar que não tenho nada contra elas pois são bonitas, mas muitas vezes esquecemos de considerar o tamanho do corredor e são tantos elementos incluídos que falta espaço para a passagem do cortejo e as pessoas precisam se desviar dos arranjos para passar.

Lição: Procurar sempre decorar o ambiente de acordo com o local sempre avaliando de forma a não afetar o operacional do evento.

Trajes

Diz o protocolo inglês que todas as mulheres devem manter suas cabeças cobertas dentro da igreja, por esse motivo vimos um lindo desfile chapéus e fascinators, mas o respeito ao templo vai além do que está na cabeça, as roupas eram discretas sem brilho, decotes, fendas ou transparências, elas tinham consciência que não estavam no tapete vermelho do Oscar mas numa cerimônia religiosa e neste ponto vamos concordar que temos muito o que avançar.

Isso me fez refletir em como nos brasileiros estamos mal acostumados, ou somos mal educados mesmo, convidadas e madrinhas usam trajes que muitas vezes chamam mais a atenção que o vestido da noiva, brilhos exagerados durante o dia, decotes, fendas e tantos outros artificios para mostrar o corpo e ficar “sexy” não levando em consideração o local.

Lição: vista se sempre de forma adequada.

Cortejo

A chegada dos convidados se deu aos poucos e respeitando-se a ordem de procedência. Por solicitação dos noivos com exceção da rainha Elisabeth II e do príncipe Philips, todos os convidados chegaram ao local a pé.

O noivo entrou na capela pela porta principal acompanhado de seu irmão e best friend (acompanhante do noivo em casamentos europeus e norte americanos)  e se dirigiu para um local separado até o início da cerimônia  quando simplesmente se posicionou no altar a espera da noiva, sem música, pompa e etc.

As crianças chegaram minutos antes da noiva acompanhadas de suas mães e entraram pela porta principal aonde aguardaram a chegada da noiva.

A noiva chegou ao local pontualmente ao meio dia acompanhada dos pajens que iriam segurar o seu véu, ao entrar na capela ao som de trombetas foi seguida pelas crianças e seguiu até metade do percurso sozinha até que foi recebida pelo futuro sogro que a acompanhou até o altar.

Lição: Não há necessidade alguma de dezenas de pessoas entrando e saindo durante a cerimônia o que só prolonga o tempo de duração do evento e o tornando cansativo.

Símbolos

A aliança foi feita pelo noivo com elementos de jóias herdadas de sua mãe além de uma pedra que tem origem no local aonde ele a pediu em casamento.  O buquê da noiva possuía flores colhidas pelo noivo nas terras da família e com a flor de murta que acompanha os buquês das noivas reais desde a rainha Vitória. O véu da noiva trazia 53 flores, cada uma simboliza um país que pertencem ou já pertenceram ao império britânico, inclusive seu próprio país. O sermão do reverendo Michael Cury’s trouxe a cerimônia características das igrejas negras americanas assim como o coral convidado. Todos esses símbolos e momentos fazem parte da história do casal e não foram escolhidos apenas com o intuito de inovar ou fazer diferente.

Lição: o casamento deve possuir símbolos ritos que fazem sentido ao casal e não sejam acresentados porque estão na moda ou para ser diferente.

Cerimônia

Como diz o mestre Roberto Cohen a cerimônia de casamento é uma grande coreografia. No casamento real conseguimos ver isso de forma concreta, tudo foi muito bem ensaiado e todos os convidados podiam acompanhar todos os detalhes da cerimônia através do livreto com a programação.

Muita gente comentou sobre não ver nenhuma cerimonialista durante o evento e é fato, elés fizeram muito bem o seu trabalho antes do evento e todos já sabiam exatamente o momento de sua participação. No Brasil especialmente na cidade de SP conseguir  reunir as pessoas para um ensaio é muito difícil, porém o casamento de Harry e Meghan de mostrou como isso é importante.

 

De tudo o que falamos a grande lição que fica é “Menos é mais”

 

Obs: em um próximo post falarei sobre a recepção.

 

 

 

 

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